Escrevo de cara inchada, depois de há dois dias ter arrancado o enorme dente do sizo que já andava a atazanar a minha paz de espírito. Não sei o que é mais terrível, se aquela hora de violência na cadeira do dentista, se o chamado pós-operatório. Enquanto lá estive as minhas pernas não pararam de tremer pelo medo à broca, à exclamação insensível do médico: "é claro que te vou cortar o osso, como querias que te tirasse o dente?" e, à dolorosa força no esforço que punha em levantar o dente, que tão bem ali se tinha deitado. Mais de quarenta e oito horas depois, as coisas ainda não melhoraram muito: não consigo abrir a boca mais de 5cm o que condiciona o comer e o falar. O único lado positivo que até agora senti foi mesmo o adiar a minha viagem até à ilha.
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